Archive for February, 2006
Olhar
… e quando ele me disse isso, eu pude olhá-lo com um outro olhar, mas um olhar que eu já conhecia, o mesmo de quando nos conhecemos ou nos reconhecemos, ou nos reencontramos, sei lá. E esse olhar era de uma total estranheza mesclada de admiração, misturada ainda com a vergonha de ser vista assim, [...]
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Mais uma noite de cores
I
A luz entrou pelo buraco da cortina e deslizou pelo rosto de Humberto até chegar ao olho do Buda de madeira sobre a cômoda; e então desapareceu. Humberto acordou com dor de cabeça pela primeira vez em muitos anos; não sabia como lidar com o problema. Decidiu ficar parado alguns minutos. Havia sonhado com a [...]
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O anjo de cristal
O Anjo de Cristal Estava lá. Em cima da estante de madeira escura, que eu nunca soube identificar. Aliás, nunca soube identificar madeira nenhuma. Jacarandá, pinus, cerejeira, carvalho… Nunca soube dizer com precisão de que madeira um móvel é feito. Tudo o que eu sabia é que aquela estante de madeira escura era antiga, muito [...]
Filed under: Conto, Sabrina | 3 Comments
O que é carnaval
‘Se eu deixar de sofrer
como é que vai ser para me acostumar?
Se tudo é carnaval eu não devo chorar
Pois eu preciso me encontrar’
Essa histeria coletiva, essa avidez por música alta e despreocupação com horários, essa debandada de pessoas querendo dissolver as amarguras e os problemas em purpurina e lantejoulas, em confetes e serpentinas, querendo se [...]
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Maquiagem
Hoje eu me maquiei para ir ao trabalho
Pus rímel
Passei lápis
Passei batom
Cobri com pó e base
Minha pele tão bem hidratada com lágrimas
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Carta do amor exagerado
Meu amor,
Perdoa-me por chamar-te de meu amor. Sei com o coração pesado que já não estamos juntos, mas não posso resistir a este eco do passado.
Escrevo-te porque não sou infinito e tu também não és. Caso pudéssemos viver para sempre, a carta não teria sentido. Na alma eu saberia que em um dos dias a [...]
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A ponte
Às vezes acho que cruzei a ponte. E das pessoas das quais eu falava, não posso mais falar. Aqui estou do mesmo lado que elas. Acotovelamos-nos nesse pequeno espaço reservado àqueles muitos que não conseguem ver.
O tempo passa tão devagar desse lado! E não há ao menos a consolação do pôr-do-sol em dia de chuva, [...]
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