A ponte
Às vezes acho que cruzei a ponte. E das pessoas das quais eu falava, não posso mais falar. Aqui estou do mesmo lado que elas. Acotovelamos-nos nesse pequeno espaço reservado àqueles muitos que não conseguem ver.
O tempo passa tão devagar desse lado! E não há ao menos a consolação do pôr-do-sol em dia de chuva, meio mesclado de água e luz. Não há nem lírica nem poética, nem riso nem lágrimas. Só o branco.
E o branco é o que nos limita e o que nos envolve. O branco também mente, diminuindo ainda mais nossas já tão escassas capacidades. É quando percebemos um tom pálido de cor. E se resolvemos investigar, perseguir esse furtivo pedaço de pigmento, encontramos o azul.
E então percebemos, não, eu percebo, afinal se trata de mim e de minha trajetória única, que já não estou do outro lado. Atravessei a ponte de volta, tão distraidamente como o fizera da vez anterior. E desse lado tudo é quente, tudo é cor. E então posso voltar a escrever.
Filed under: Crônica, Renata | 1 Comment
Ei, apareceu teu nome aqui sim. Ou será que isso foi depois de teres arrumado algo?
Vou fazer meu cadastro agora…