Olhar
… e quando ele me disse isso, eu pude olhá-lo com um outro olhar, mas um olhar que eu já conhecia, o mesmo de quando nos conhecemos ou nos reconhecemos, ou nos reencontramos, sei lá. E esse olhar era de uma total estranheza mesclada de admiração, misturada ainda com a vergonha de ser vista assim, tão nua, sem máscaras, despida de todas as minhas artimanhas ou joguinhos para conseguir o que quero. E eu sentia ao mesmo tempo uma enorme admiração e uma pontinha de raiva, a cabeça explodindo e os olhos inchados, mal podendo acreditar na criatura que estava bem ali na minha frente. Mas era verdade, era tudo verdade, eu estava sofrendo dores de um futuro distante, consequências de erros que nem havíamos cometido ainda, estava esmagada sob o peso de todos os nosso pecados ainda esperando por serem cometidos. Mas se apenas você me abraçasse… Então poderíamos seguir errando novamente, sem refletir sobre os nosso atos e aí sim um dia atingiríamos o grau de sofrimento que eu entrevi aquela noite. Você, porém… Não me abraçou, nem me tocou, e falava frio do seu canto que precisávamos refletir. E pela primeira vez alguém conseguiu não cair na minha armadilha, conseguiu não reforçar meus comportamentos errôneos, e me fez entender que os erros não precisam ser cometidos, não ‘temos que’, não ‘devemos’ fazer isso ou aquilo para semos felizes, e então você me tocou e eu ainda não te queria perto por te considerar tão certo a ponto de sentir desprezo por mim mesma, sentimento que foi se dissolvendo em água quente e…
Filed under: Crônica, Renata | 3 Comments
Renata!
Gostei demais. Já li umas 4 vezes!
O recurso de colocar como se fosse uma parte de uma cena ficou muito bom, mas me deixou curioso pra saber o que viria depois.
Aeee!!! hehe. Valeu, mas o que viria depois só caberia no lolitas. hehehe Brincadeirinhaaa….
Mas tem uma coisa… Juro que vou ficar um tempinho nessa fase do vapt-vupt (textos curtos que escrevo qse de um só fôlego) só para me aperfeiçoar, e depois vou trabalhar mais neles, ter histórias com enredo, etc… hehehe
Menino e menina, muito bons os textos! E obrigada pelos elogios… Infelizmente, minha carreira de contista não foi muito além disso. No máximo, umas crônicas, como a que postarei hoje.
Beijos