A letra “a”
Ela. O rosto dela. Ela caminhando absorta, num sonho que é moldura para vê-la pura.
Eu ao lado dela não paro, cumpro meu desejo de vê-la forte, de amá-la, de abraçá-la quando fraca, de rir com ela quando a face dela admirar o mundo.
As costas, as pernas… eu me perco no umbigo dela, para baixo ou para cima eu a vejo completa. Eu a gosto inteira. Adoro, amo. Ela brinca no meu peito, eu durmo em sua alma.
Quando brava, adoro a boca fechada, as sobrancelhas quase más, os gestos bruscos de revolta. Eu a amo ainda mais, pois no fim ela me vela a noite toda com medo de que eu parta, que deixe de vê-la.
Menina minha. Amo quando ela me ama, e diz que me precisa, que é minha moleca. Ela sabe que sou dela, que a ela endereço a vida.
Na chuva forte, embaixo da coberta, eu a abraço toda, ela derrete esparramada no meu corpo. O trovão nos some a alma, e por um momento ela é “o” e eu sou “a” e nunca mais sabemos. Eu sexo e ela sexa até não termos.
Esperta Linda Sábia Princesa. Toda Louca. Casta Pervertida. Pega e me encanta. Calma. Agitada. Incrível combinação de opostos, ela.
Nua. Farta. Totalitária. Mascara, mas cai no encanto, e é também flauta que escuto. Sigo. Sigla, ela. Ambos caídos na sujeira, lavamos silêncio e juntos de novo.
Ela me completa, o “a” do meu amor. Meu alvo, minha bela, meu desejo é torná-la toda.
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Eeerrr assim não vale! Colocar os melhores textos da gaveta é sacanagem!