Eu andava até o parque cantarolando canções dos meus sonhos. Todas as vezes eu pegava uma das flores amarelas do bosque e sentia sua textura macia, e a beijava, tentando aprender a ser bela; eu queria ser convidada para aquele mundo. Os contornos delicados das pétalas casavam com suas cores vibrantes, parecia que um rio de vermelho nascia na montanha do amarelo e descia caudaloso para desaguar no centro daquele espetáculo. Então eu a prendia gentilmente ao meu cabelo e meu coração batia acelerado por saber que eu estava mais bonita.

Sentava-me no banco, de frente para as crianças brincando no parquinho. Meu desejo era estar com elas, escorregando, girando, me enchendo de alegria na caixa de areia, para ser também a pessoa mais feliz do mundo. Por vezes eu quase me levantava e cedia ao impulso, mas tinha vergonha dos olhos dos outros julgando meu corpo não tão jovem. Ao invés do parque, eu olhava as nuvens e tentava adivinhar em qual das muitas formas no céu estava escondido o que era o amor.

Roberto me levou ao parque no nosso aniversário. Quando ele sorria para mim eu me sentia a mulher mais importante do mundo. Fomos até o bosque e ele pegou a flor amarela da qual eu tanto lhe falava. Colocou-a ao lado do meu rosto, e tive calafrios ao perceber que ele nos comparava. Eu tive medo de que ele visse que eu não era uma flor. Ele olhou por muito tempo para nós duas antes de abandonar a flor para me beijar. Eu soube o amor naquele momento. Então tomou minhas mãos e me levou ao parquinho, e eu descobri que não tinha vergonha dos olhos dos outros enquanto Roberto olhava por mim. Foi um dia delicioso. Pouco antes de irmos embora, olhei para o céu para me despedir das nuvens; agora eu sabia o segredo.



3 Responses to “A flor no parquinho”  

  1. 1 Renata

    Uiiii….. eu lírico femininoooo…… Vc postou incompleto ou é assim mesmo?

  2. 2 Tsu

    Podicrê…eu lírico feminino fica esquisito!

  3. Eu gostei do teu conto meigo… Gosto de coisas alegres!


Leave a Reply