Os lagos
Sem querer eu percebi que nunca poderia ser feliz se não fosse capaz de tocar o fundo do lago ao mesmo tempo em que, de fora dele, observo as ondas na superfície. Sabendo disso, caminhei por dias em busca de uma solução, pois me ensinaram que tudo tem uma solução. É uma vida descomplicada, esta de soluções. É ridículo, e fico com um pouco de vergonha…
Cruzei a sala da minha casa sem dizer oi para meus filhos. Subi até minha mais idiota idéia e tirei de lá todo o dinheiro que eu tinha no cofre. Cruzei a sala da minha casa sem dizer oi para meus filhos. Gastei a minha mais idiota idéia em todo o meu dinheiro. Agora, será que o vento no rosto pode ser substituído?
O lago me esperava com sua beleza discreta, e eu respirava o ar puro da região como se tivesse descobrido o sentido de tudo quanto existe. Enquanto eu fincava o tripé no solo macio, e conectava a bateria na solução, senti amor por mim, um daqueles que junta tudo que há de bom em nós e esconde no carpete a sujeira acumulada. Um desses amores sem razão, que talvez seja mais uma justificativa para ser tolo do que uma admiração real.
Peguei na mão um punhado de arrependimento em forma de aparelho impulsivamente adquirido e mergulhei para tocar o fundo do lago. Passando a mão pela areia grossa do lago, e sentindo a alegria imensa do contato do mundo com o corpo, olhei pela tela as ondas na superfície da água. Levantei minha mão para derrotar o espaço, e me vi ao vivo em dois lugares ao mesmo tempo. Minha mão no cascalho desenhando imagens, e minha imagem ondulando a água no topo. Já não cabiam perguntas, nem dúvidas… exceto que meus pés não tocavam a terra.
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Muito bem escrito, mas acho q me perdi um pouco e não consigo encontrar o q vc quer dizer.