Análise do Comportamento
A análise do
comportamento é
a
explicação de um evento comportamental dada pela descrição das relações que
este evento sustenta com outros eventos (presentes ou passados). O que define
a prática do analista do comportamento é a investigação de efeitos
(conseqüências) cumulativos (dimensão histórica) de contingências ou
interações (passadas e atuais) sobre o desempenho atual do organismo através
de um recurso metodológico (análise funcional], experimental ou não
experimental). Baseia-se na identificação de relações funcionais, cujo
objetivo é identificar e descrever o efeito comportamental, buscar relações
ordenadas entre variáveis ambientais e a ação de um organismo, formular
predições confiáveis baseadas nas descrições dessas relações e produzir
controladamente esses efeitos predizÃves.
- O objeto da análise do comportamento é o evento comportamental
Assim,
fazer análise do comportamento é determinar as caracterÃsticas/dimensões da
ocasião em que o comportamento ocorre, identificar as propriedades públicas e
privadas da ação e definir as mudanças produzidas pela emissão das respostas
(no ambiente, no organismo). A essa trÃade chama-se contingência trÃplice, a
unida
de
funcional da análise do comportamento. Para Skinner, um evento comportamental
é o produto conjunto da história anterior de reforçamento do sujeito. Por
reforçamento, entende-se qualquer estÃmulo que aumenta a probabilidade de
respostas. Assim, pode-se dizer que o ambiente (externo – fÃsico, social;
interno – biológico, histórico) seleciona grandes classes de
comportamento.
Seleção por
Consequências
O
modelo causal de seleção do comportamento por consequências foi proposto por
Skinner (1981). A explicação selecionista do comportamento é eminentemente
histórica, e abre mão de argumentos semelhantes aqueles do paradigma da
mecânica clássica. Em relação a este ponto,um erro freqüente nas crÃticas Ã
análise do comportamento é acreditar que, dentro do behaviorismo,
a
causa de um comportamento deve ser necessariamente imediata. Pelo contrário, a
causa de um comportamento não precisa estar próxima e imediata, já que a
causação imediata (se necessária) se opõe à explicação histórica – que, por
sua vez, incorpora a história da espécie, a história do indivÃduo e a história
da cultura, considerando-se estas como três processos de seleção do
comportamento. A análise recai sobre o produto integrado desses processos
históricos, e sua separação ou análise é um artifÃcio meramente didático ou
metodológico. O com
portamento
humano é o produto da ação integrada e contÃnua de contingências
filogenéticas, ontogenéticas e culturais (Skinner, 1981). Isso evidentemente
ainda passa pelo crivo de uma Análise Funcional de cada elemento destes
circunstancialmente. O que faz da Análise do Comportamento uma ciência
preocupada com a “prática” e a “função das coisas” na vida do sujeito. Não
se trata, portanto, de “aniquilar” um dado comportamento disfuncional, mas
avaliar as razões pelas quais ocorre e como implementar novos comportamentos e
de que maneira isto poderia ser útil na real vivência do indivÃduo.
Embora Freud e os
psicodinâmicos estivessem igualmente interessados na base ontológica da ação,
Skinner adotou uma posição mais extrema, afirmando que todos estes fatores
conhecidos tradicionalmente como mentais são apenas comportamento, e devem ser
estudados como tal, sem ganhar posição de causa do comportamento (posição
defendida em razão da epistemologia desta ciência, o
Behaviorismo
Radical, o qual se opõe a explicações do comportamento internalistas,
sejam elas de carácter mentalistas ou organicistas). O comportamento pode ser
totalmente descrito, isso é, ele é mensurável, observável e perceptÃvel
através de instrumentos de medida.
Segundo
Skinner,
os pensamentos e as emoções não podem ser causa do comportamento. Eles são,
antes, classes comportamentais especiais.
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